Sintsep/MS elabora e entrega carta aberta ao presidente Lula em defesa dos servidores da ex-SUCAM
7 de Julho de 2026 às 11:52
O Sintsep/MS entregou uma carta aberta ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em que cobra medidas urgentes de reparação e assistência aos ex-servidores da antiga Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (SUCAM), conhecidos como “soldados das endemias”.
No documento, os trabalhadores relatam décadas de atuação no combate a doenças como malária, dengue, febre amarela, zika vírus, chikungunya e doença de Chagas, em ações realizadas em regiões remotas do país e sob condições consideradas extremas. Segundo a entidade, essa trajetória foi marcada pela exposição contínua a substâncias tóxicas utilizadas no controle de vetores, como o DDT e outros pesticidas.
A carta destaca que essa exposição tem gerado um quadro preocupante de adoecimento entre os ex-servidores. Levantamentos citados pelo sindicato apontam que cerca de 70% dos trabalhadores apresentam níveis de contaminação acima dos limites considerados seguros pela Organização Mundial da Saúde (OMS), além de estimativas de que até 90% convivem com doenças associadas ao manuseio desses produtos.
Um estudo identificou evidências de comprometimento do sistema imunológico e aumento de risco para doenças graves, incluindo câncer, cenário que, segundo o Sintsep/MS, se repete em diferentes estados do país, inclusive Mato Grosso do Sul. O sindicato afirma ainda que os impactos à saúde incluem problemas neurológicos, respiratórios, hormonais e transtornos mentais, além de registros de mortes precoces entre ex-servidores. Outro ponto destacado é o impacto financeiro, já que muitos aposentados e pensionistas têm parte significativa da renda comprometida com medicamentos e tratamentos de saúde.
“Foi o Estado que os expôs. É o Estado que precisa responder”, destaca o texto da carta, ao reforçar o caráter de responsabilidade pública diante da situação enfrentada pelos trabalhadores.
Diante do cenário, o Sintsep/MS apresenta três reivindicações consideradas prioritárias: a implantação de um plano de saúde para servidores ativos, aposentados e pensionistas da ex-SUCAM; a aprovação da PEC do Auxílio-Nutrição; e o reajuste da Gratificação de Atividade de Combate e Controle de Endemias (Gacen).
Ao encerrar o documento, o sindicato afirma que a situação representa uma dívida histórica do Estado brasileiro com esses trabalhadores e que a falta de respostas agrava diariamente o quadro de injustiça e adoecimento.
“A história desses trabalhadores não pode terminar em silêncio”, conclui a carta aberta.






